PÓS-IMPRESSIONISMO

Como o nome indica, foi a expressão artística utilizada para definir a pintura no  final do impressionismo, por volta de 1885, marcando também o início do cubismo, já no início do século XX.

Surge na França como uma ruptura do impressionismo, deixando de ser um movimento uniforme, partindo daí para diversas tendências distintas.

Os artistas pós-impressionistas deixam de seguir os preceitos originais e procuram ampliar a “superficial” linguagem visual dos impressionistas. desenvolvendo uma arte mais substancial. Não somente dedicada a captar o momento, retratando cenas passageiras, e sim dando importância aos sentimentos e aos acontecimentos sociopolíticos da sua época. Demostravam também insatisfação pelas limitações técnicas da pintura impressionista.

Os mais influentes pós-impressionistas foram pintores vanguardistas, como os franceses Henri de Toulouse-Lautrec (1864 -1901), Paul Cézanne (1839-1906), Paul Gauguin (1848-1903), Henri Rousseau (1844-1910), Georges Seurat (1859-1891) e o holandês Vicent Van Gogh (1853-1890),

Gauguin, Van Gogh e Lautrec transmitiram a expressão das suas emoções e sensações através de cor e luz.

Acentuaram em suas pintura os valores específicos da cor e da bidimensionalidade.

Gauguin enfatiza cores chapadas, puras, desenhos vigorosos, formas sem muita definição das luzes e sombras e linhas curvas; as formas são bidimensionais, sem perspectiva.

Van Gogh aplicava suas tintas diretamente, sem misturá-las com textura espessa e espatulada para transmitir a emoção; dando subjetividade e humanismo à uma obra de extraordinária intensidade.

Cézanne ao contrário dos impressionistas, que enfatizavam a luz, enfatizava a forma. Introduziu nas suas obras distorções formais e alterações de perspectiva, em benefício da composição ou para ressaltar o volume e peso dos objetos, evitando retratar emoções em seus quadros.

A sua busca por novas formas e estruturas para sua pintura, influenciaram o futuro movimento cubista que surgiria a partir de século seguinte.

Rousseau um autodidata apaixonado pela natureza e que a retrata como uma realidade simples, pintou cenas misteriosas e fantásticas sendo constantemente remetida para o grupo da arte naïf e primitivista.

Georges Seurat pintava com pontos de cores puras e trabalhava com a mistura ótica das cores, criou um estilo conhecido como pontilhismo.

Lautrec é conhecido por pintar a vida boêmia de Paris do final do século XIX. E como próprio boêmio, tinha habilidade em capturar as pessoas em seu ambiente de trabalho, com a cor e o movimento da vibrante e opulenta vida noturna, porém sem o glamour.

 

 

 

 

ARTE NAÏF

A palavra naif é derivada do latim nativus, que significa nativo, no sentido de natural, original, inato. Com origem francesa, a expressão naif significa ingênuo.

O termo arte naïf aparece no vocabulário artístico, em geral, como sinônimo de arte ingênua, original e/ou instintiva, produzida por autodidatas que não têm formação culta no campo das artes. Nesse sentido, a expressão se confunde freqüentemente com arte popular, arte primitiva e art brüt, por tentar descrever modos expressivos autênticos, originários da subjetividade e da imaginação criadora de pessoas estranhas à tradição e ao sistema artístico. A pintura naïf se caracteriza pela ausência das técnicas usuais de representação (uso científico da perspectiva, formas convencionais de composição e de utilização das cores) e pela visão ingênua do mundo. As cores brilhantes e alegres - fora dos padrões usuais -, a simplificação dos elementos decorativos, o gosto pela descrição minuciosa, a visão idealizada da natureza e a presença de elementos do universo onírico são alguns dos traços considerados típicos dessa modalidade artística.

A história da pintura naïf liga-se ao Salon des Independents [Salão dos Independentes], de 1886, em Paris, com exibição de trabalhos de Henri Rousseau (1844 – 1910), conhecido como “Le Douanier”, que se torna o mais célebre dos pintores naïfs. Rousseau dedica-se à pintura como hobby. Pintor, à primeira vista, “ingênuo” e “inculto”, pela falta de formação especializada, dos temas pueris e inocentes, é responsável por obras que mostram minuciosamente, de modo inédito, uma realidade ao mesmo tempo natural e fantasiosa, como em A Encantadora de Serpentes, 1907. Seu trabalho obtém reconhecimento imediato dos artistas de vanguarda do período – como Odilon Redon , Paul Gauguin, Robert Delaunay , Guillaume Apollinaire, Pablo Picasso , entre outros -, que vêem nele a expressão de um mundo exótico, símbolo do retorno às origens e das manifestações da vida psíquica livre e pura.

Em 1928, o colecionador e teórico alemão Wilhelm Uhde  – um dos descobridores do artista – organiza a primeira exposição de arte naïf em Paris, reunindo obras de Rousseau, Luis Vivin , Séraphine de Senlis , André Bauchant  e Camille Bombois . Mais tarde, o Museu de Arte Moderna de Paris dedica uma de suas salas exclusivamente à produção naïf.

 

No século XX, a arte naïf é reconhecida como uma modalidade artística específica e se desenvolve no mundo todo, sobretudo nos Estados Unidos, na ex-Iugoslávia e no Haiti.

Soluções da arte naïf são incorporadas a diversas tendências da arte moderna, seja pelo simbolismo (em busca da essência mística das cores), seja pelo pós-impressionismo de Paul Gauguin,

Os trabalhos realizados sob a égide do Blauer Reiter (O Cavaleiro Azul) – grupo do qual participam August Macke  e Paul Klee  – e a obra de Wassili Kandinsky , em defesa da orientação espiritual da arte, também se beneficiam de sugestões da arte naïf.

Se em sua origem essa modalidade é definida como aquela realizada por amadores ou autodidatas, o processo de reconhecimento e legitimação obtidos nos circuitos artísticos leva a que muitos pintores, com formação erudita, façam uso de procedimentos caros aos naïfs. Além disso, a arte naïf desenha um circuito próprio e conta com museus e galerias especializados em todo o mundo.

No Brasil, especificamente, uma série de artistas aparece diretamente ligada à pintura naïf, como Cardosinho , Luís Soares , Heitor dos Prazeres , José Antônio da Silva  e muitos outros. Entre eles, ganham maior notoriedade: Chico da Silva  - menção honrosa na 33ª Bienal de Veneza – e Djanira que nos anos 1950 é artista consagrada e uma das lideranças do Salão Preto e Branco.

A arte popular do Nordeste brasileiro – as xilogravuras que acompanham a literatura de cordel e as esculturas de Mestre Vitalino figura em algumas fontes como exemplos da arte naïf nacional.

 

Em Recife ,recomendo apreciar  o excelente trabalho de Militão dos Santos

 

 

 

 

 

 

Fonte: http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=5357