Bertrand-Jean Redon, conhecido como Odilon Redon nasceu em Bordeaux, no dia 20 de abril de 1840 .Foi um pintor e artista gráfico francês, considerado o mais importante dos pintores do Simbolismo, por ser o único que soube criar uma linguagem plástica particular e original.
Redon foi um dos membros mais destacados do movimento simbolista, cujas bases teóricas foram definidas pelos manifestos do poeta Mallarmé e pela estética romântica. Diferente da obra de seus colegas, a sua chegou aos limites da sugestão e da abstração, e pode-se dizer que, tanto formal quanto conceitualmente, chegou, de modo visionário, perto da futura vanguarda surrealista.
Sua iniciação teve mais a ver com a arte gráfica do que com a pintura. De fato, Redon aprendeu as técnicas da gravura com Bresdin, influenciado pela obra de Doré. Como pintor, interessou-se pelas paisagens da Escola de Barbizon e pela obra de Rembrandt.
Em 1884 fundou com Gauguin e Seurat o Salon des Indépendants (ou Salão dos Independentes) e também participou das exposições do grupo Le XX, em Bruxelas. A partir de 1890 relacionou-se com os poetas simbolistas Mallarmé e Huysmans. O marchand Durand-Ruel, interessado em sua obra, propôs uma exposição individual.
A técnica mais utilizada por Redon era o pastel, que lhe permitia trabalhar as cores com texturas diferentes e bastante mescladas. Seu mundo de visões e sonhos, povoado de criaturas estranhas e às vezes monstruosas, fascinou os jovens do grupo nabis e influenciou significativamente os surrealistas.
O colorido de Redon é luminoso e muito peculiar, como podemos observar em Cíclope, de 1900, Bouddha, de 1910, eO Silêncio, de 1911.
Suas gravuras são ricas com uma visão muito pessoal de um universo de sonho. Ele mesmo declarou, “…deixo livre a minha imaginação no sentido de utilizar tudo o que a litografia pode me oferecer. Cada uma das muitas peças é o resultado de uma procura apaixonada do máximo que pode ser extraído da conjugação do uso do lápis, papel e pedra”.
O fovismo ou fauvismo (do francês les fauves, “as feras”, como foram chamados os pintores não seguidores do cânone impressionista, vigente à época) é uma corrente artística do início do século XX, que se desenvolveu sobretudo entre 1905 e 1907. Associada à busca da máxima expressão pictórica, o estilo começou em 1901 mas só foi denominado e reconhecido como um movimento artístico em 1905. Segundo Henry Matisse, em “Notes d’un Peintre”, pretendia-se com o fovismo “uma arte do equilíbrio, da pureza e da serenidade, destituída de temas perturbadores ou deprimentes”.
Este grupo de pintores , utilizavam nos seus quadros cores violentas, de forma arbitrária. A denominação do movimento deve-se ao crítico conservador Louis Vauxcelles, que, no Salão de Outono de 1905, em Paris, comparou esses artistas a feras (fauves). Havia ali uma escultura acadêmica representando um menino, rodeada de pinturas neste novo estilo, o que o levou a dizer que aquilo lhe lembrava “um Donatello entre as feras”. Tal denominação, inicialmente de carácter depreciativo, acabou por se fixar e passou designar o movimento.
O campo da criação artística é atingido fortemente pela Revolução Industrial. As mudanças são tão rápidas que seria impossível adotar os cânones artísticos anteriores. Neste meio não é mais permitido o estudo profundo, é preciso ingressar na corrida artística. As amarras criadas por normas sagradas buscam agora um novo propósito: pintar as sensações que despertam o estado de espírito no livre curso dos impulsos interiores. Muitas vezes o aprendizado é questionado. É a época da glorificação do instinto. O meio artístico gira em torno de um novo mundo. Está em ebulição. Multiplicam-se novos temas a respeito da arte, surgem novos comerciantes de quadros, críticos e exposições particulares. O artista possui, diante de si, cada vez mais informações em razão das mudanças e dos acontecimentos de sua época.
Os pintores fovistas receberam influências de Van Gogh, através de seu emocionalismo e ardor passional pelas cores exacerbadas, e de Gauguin, com seu primitivismo e visão elementar da natureza. A nova estética é obedecer aos impulsos instintivos ou as sensações vitais e primárias. Criar desobedecendo a uma ordem intelectual, onde as linhas e as cores devem jorrar no mesmo estado de pureza das crianças e selvagens, desobedecendo às regras tradicionais da pintura. Evitam a ilusão da tridimensionalidade. Agora a tela se apresenta plana, obtendo apenas comprimento e largura. Baseiam-se na força das cores puras.
A realidade é deformada com a finalidade de produzir o estado de espírito do artista diante do espetáculo oferecido pela movimentação dos reflexos dos tons vivos sobre a água e os galhos retorcidos… A nova geração de artistas busca recomeçar sem se preocupar com a composição. Na ânsia de pintar o estado de graça, muitas vezes aplica-se a tinta diretamente na tela, onde os vermelhos, os amarelos, os verdes uivam e antecipam o gosto moderno pela cor pura. É o novo espírito de síntese, deixando de lado o desenho e a forma, tornando-se deformadores, criando contrastes ou harmonia de coloridos inexistentes na realidade do mundo visível. Não se deixam escravizar pelos aspectos visuais da realidade. A nova arte surge como verdadeira libertação do real e é construída pelas sensações visuais impulsivas do artista.
Características
O fovismo tem como características marcantes a simplificação das formas , o primado das cores, e uma elevada redução do nível de graduação das cores utilizadas nas obras. Os seus temas eram leves, retratando emoções e a alegria de viver e não tendo intenção crítica.
A cor passou a ser utilizada para delimitar planos, criando a perspectiva e modelando o volume. Tornou-se também totalmente independente do real, já que não era importante a concordância das cores com objeto representado, e sendo responsável pela expressividade das obras.
Os princípios deste movimento artístico eram:
criar é seguir os impulsos do instinto, as sensações primárias;
a cor pura deve ser exaltada;
as linhas e as cores devem nascer impulsivamente e traduzir as sensações elementares, no mesmo estado de graça das crianças e dos selvagens.
Características da pintura
Pincelada violenta, espontânea e definitiva;
Ausência de ar livre;
Colorido brutal, pretendendo a sensação física da cor que é subjetiva, não correspondendo à realidade;
Autonomização completa do real;
Uso exclusivo das cores puras, como saem das bisnagas;
Pintura por manchas largas, formando grandes planos;
Os Principais artistas do movimento foramGeorges Braque, Andre Derain, Jean Puy, Henri Matisse, Maurice de Vlaminck, Raoul Dufy.
Ontem foi divulgado pela imprensa que a tela “O grito” do expressionista alemão Edvard Munch, se transformo em a obra de arte mais cara do mundo, vendida pela “singela” soma de R$ 120 milhões.
Vamos a dar uma olhada no seu autor, para entender porque uma obra “tão feia” como escutei em varios comentários sobre o tema , vale tanto dinheiro.
Edvard Munch foi um importante artista plástico norueguês. considerado como um dos artistas que iniciaram o expressionismo na Alemanha.
Nasceu na cidade de Løten (Noruega) em 12 de dezembro de 1863.
Edvard Munch frequentou a Escola de Artes e Ofícios de Oslo vindo a ser influenciado por Courbet e Manet. No lugar das ideias, o pensamento de Henrik Ibsen e Bjornson marcou o seu percurso inicial. A arte era considerada como uma arma destinada a lutar contra a sociedade. Os temas sociais estão assim presentes em O Dia Seguinte e Puberdade de 1886.
Com A Menina doente (Das Kränke Mädchen – 1885) inicia uma temática que surgiria como uma linha de força em todo o seu caminho artístico. Fez inúmeras variações sobre este último trabalho, assim como sobre outras obras, e os seus sentimentos sobre a doença e a morte, que tinham marcado a sua infância (a mãe morreu quando ele tinha 5 anos, a irmã mais velha faleceu aos 15 anos, a irmã mais nova sofria de doença mental e uma outra irmã morreu meses depois de casar; o próprio Edvard estava constantemente doente), assumem um significado mais vasto, transformados em imagens que deixavam transparecer a fragilidade e a transitoriedade da vida.
Edvard Munch Em Paris, descobre a obra de Van Gogh e Gauguin, e indubitavelmente o seu estilo sofre grandes mudanças.
Em 1892 o convite para expor em Berlim torna-se num momento crucial da sua carreira e da história da arte alemã. Inicia um projecto que intitula O Friso da Vida. Edvard Munch representou a dança em 1950.
Aos trinta anos ele pinta O Grito, considerada a sua obra máxima, e uma das mais importantes da história do expressionismo. O quadro retrata a angústia e o desespero e foi inspirado nas decepções do artista tanto no amor quanto com seus amigos. O Grito é uma das peças da série intitulada O Friso da Vida. Os temas da série recorrem durante toda a obra de Munch, em pinturas como A Menina Doente (1885), Amor e Dor (1893-94), Cinzas (1894) e A Ponte. Rostos sem feições e figuras distorcidas fazem parte de seus quadros.
Em 1896, em Paris, interessa-se pela gravura, fazendo inovações nesta técnica. Os trabalhos deste período revelam uma segurança notável. Em 1914 inicia a execução do projecto para a decoração da Universidade de Oslo, usando uma linguagem simples, com motivos da tradição popular.
Em 1908, retorna a sua Noruega natal para viver em seu país ate sua morte
Munch retratava as mulheres ora como sofredoras frágeis e inocentes (ver Puberdade e Amor e Dor), ora como causa de grande anseio, ciúme e desespero (ver Separação, Ciúmes e Cinzas). As últimas obras pretendem ser um resumo das preocupações da sua existência: Entre o Relógio e a Cama, Auto-Retrato de 1940. Toda a obra está impregnada pelas suas obsessões: a morte, a solidão, a melancolia, o terror das forças da natureza.
No final da década de 1930 e início da década de 1940 passou por uma forte decepção. O governo nazista ordenou a retirada de todas as obras de arte de Munch dos museus da Alemanha por considerá-las esteticamente imperfeitas e por não valorizar a cultura alemã.
Munch morreu em 23 de janeiro de 1944, na cidade de Ekely (próximo a Oslo).
Depois da Revolução Cultural Chinesa, Munch foi o primeiro artista ocidental cujas obras foram exibidas na Galeria Nacional de Pequim.
A maior parte de sua obra, inclusive suas belisimas xilogravuras e litografias pode ser vista no museu de Oslo que recebeu seu nome.
Moshe Shagal , o como foi conhecido seu nome transformado para o Frances: Marc Chagall , foi um pintor, ceramista e gravurista surrealista russo-francês.
Nasceu em 7 de julho de 1887 em Pestkovatik, uma vila na província ocidental da Rússia czarista . Poucos anos depois, a família mudo-se para uma cidade próxima, Vitebsk, que se tornou um dos principais marcos nos seus quadros.Era o mais velho de nove irmãos de uma família pobre numa comunidade judia da Europa Oriental, que ainda era sujeita a perseguições e violências por motivos religiosos e etnicos
Començo sua vida artística quando entrou para o ateliê de um retratista famoso da sua cidade natal. Lá aprendeu não só as técnicas de pintura, como a gostar e a exprimir a arte. Ingressou, posteriormente, na Academia de Arte de São Petersburgo, de onde rumou para a próspera cidade-luz, Paris.
Ali entrou em contacto com as vanguardas modernistas que enchiam de cor, alegria e vivacidade a capital francesa. Conheceu também artistas como Amedeo Modigliani e La Fresnay. Todavia, quem mais o marcou, deste próspero e pródigo período, foi o modernista Guillaume Apollinaire, de quem se tornou grande amigo.
É também neste período que Chagall pinta dois dos seus mais conhecidos quadros: Eu e a aldeia e O Soldado bebé, pintados em 1911 e em 1912, respectivamente.
Os títulos dos quadros foram dados por Blaise Cendrars. Coube a Guillaume Apollinaire selecionar as obras que seriam posteriormente expostas em Berlim, no ano em que a 1º Grande Guerra rebentou, em 1914.
Neste ano, após a explosão da guerra, Marc Chagall volta ao seu país natal, sendo, portanto, mobilizado para as trincheiras. Todavia, permaneceu em São Petersburgo, onde casou um ano mais tarde com Bella, uma moça que conheceu na sua aldeia.
Depois da grande revolução socialista na Rússia, que pôs fim ao regime autoritário czarista, foi nomeado comissário para as belas-artes, tendo inaugurado uma escola de arte, aberta a quaisquer tendências modernistas. Foi neste período que entrou em confronto com Kasimir Malevich, acabando por se demitir do cargo.
Retornou então, a Paris, onde iniciou mais um pródigo período de produção artística, tendo mesmo ilustrado uma Bíblia. Em 1927, ilustrou também as Fábulas de La Fontaine, tendo feito cem gravuras, somente publicadas em 1952. São também deste ano conhecidas, as suas primeiras paisagens. Visitou, em 1931, a Palestina e, depois, a Síria, tendo publicado, em memória destas duas viagens o livro de carácter autobiográfico Ma vie (em português: “Minha vida”).
Desde o ano de 1935, com a perseguição dos judeus e com a Alemanha prestes a entrar em mais uma guerra, Chagall começa a retratar as tensões e depressões sociais e religiosas que sentia na pele, já que também era judeu convicto.
Anos mais tarde, parte para os Estados Unidos da América, onde se refugia dos alemães. Lá, em 1944, com o fim da guerra a emergir, Bella, a sua mulher, falece, facto que lhe causa uma enorme depressão, mergulhando novamente no mundo das evocações, dos chamamentos, dos sonhos. Conclui este período com um quadro que já havia iniciado em 1931:Em torno dela.
Anos depois iniciou um relacionamento com uma inglesa, Virginia Haggard, que durou até 1952
Dois anos depois do fim da guerra, regressa definitivamente à França, onde pintou os vitrais da Universidade Hebraica de Jerusalém. Os dias de fuga e exílio de Chagall haviam acabado, e seu casamento em 1952 com Valentine Brodsky trouxe-lhe a estabilidade e tranquilidade a sua movimentada vida .
Na França e nos Estados Unidos da América pintou, para além de diversos quadros, vitrais e mosaicos. Explorou também os campos da cerâmica, tema pelo qual teve especial interesse.
Marc Chagall criou um mundo de cores inspirados em mitos e mágica,poblado de estranhas criaturas e visões fantásticas , mas mesmo assim refletindo na sua arte memórias e experiências reais,biográficas . Foi um homem inteiramente dedicado a sua vida familiar e seu trabalho,que teve que atravessar guerras , revoluções , fugas e viver no exílio.
Sua autobiografia e sua arte , mesmo que for indiretamente , estarão sempre interligadas
Em sua homenagem, em 1973, foi inaugurado o Museu da Mensagem Bíblica de Marc Chagall, na famosa cidade do sul da França, Nice. Em 1977 o governo francês condecorou-o com a Grã-cruz da Legião de Honra.
Tendo sido um dos grandes pintores do século XX, Marc Chagall faleceu em Saint-Paul-de-Vence, no sul da França, em, 28 de março de 1985
Roberto Burle Marx nasceu em São Paulo no dia 4 de agosto de 1909 .Foi um artista plástico brasileiro, renomado internacionalmente ao exercer a profissão de arquiteto-paisagista. Morou grande parte de sua vida no Rio de Janeiro, onde estão localizados seus principais trabalhos, embora sua obra possa ser encontrada ao redor de todo o mundo.
Era o quarto filho de Cecília Burle (de origem pernambucana e francesa) e de Wilhelm Marx, judeu alemão, nascido em Stuttgart e criado em Trier (cidade natal de Karl Marx, primo de seu avô).
A mãe, exímia pianista e cantora, despertou nos filhos o amor pela música e pelas plantas. Roberto a acompanhava, desde muito pequeno, nos cuidados diários com as rosas, begônias, antúrios, gladíolos, tinhorões e muitas outras espécies que plantava no seu jardim. Com a ama Ana Piascek aprendeu a preparar os canteiros e a observar a germinação das sementes do jardim e da horta.
O pai era um homem culto, amante da música erudita e da literatura europeia, preocupado com a educação dos filhos, aos quais ensinou alemão, embora se dedicasse aos negócios, como comerciante de couros, num curtume que mantinha em São Paulo.
Quando os negócios começam a ir mal em São Paulo, seu pai resolveu mudar-se para o Rio de Janeiro em 1913. A família viveu um tempo em casa de familiares e, quando a nova empresa de exportação e importação de couros de Wilhelm Marx começou a ter resultados positivos, finalmente se mudaram para um casarão no Leme. Nesse casarão, Burle Marx, então com 8 anos, começou a sua própria coleção de plantas e a cultivar suas mudas.
Aos 19 anos, Burle Marx teve um problema nos olhos e a família se mudou para Alemanha em busca de tratamento. Permaneceram na Alemanha de 1928 a 1929, onde Burle Marx entrou em contato com as vanguardas artísticas. Lá conheceu um Jardim Botânico com uma estufa mantendo vegetação brasileira, pela qual ficou fascinado.
As diversas exposições que visitou e, dentre as mais importantes, a de Picasso, Matisse, Paul Klee e Van Gogh, lhe causaram grande impressão, levando-o à decisão de estudar pintura.
Durante a estada na Alemanha, Burle Marx estudou pintura no ateliê de Degner Klemn. De volta ao Rio de Janeiro, em 1930, Lucio Costa, que era seu amigo e vizinho do Leme, o incentivou a ingressar na Escola Nacional de Belas Artes, atual Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Burle Marx conviveu na universidade com aqueles que se tornariam reconhecidos na arquitetura moderna brasileira: Oscar Niemeyer, Hélio Uchôa e Milton Roberto, entre outros.
A pintura de Marx , elaborada do final dos anos 20 ao início da década de 40, revela-se presa ao expressionismo, seja nos temas, seja na monumentalidade e ordenação das figuras no espaço compositivo, nas formas estilizadas ou simplificadas, nas cores intensas e mesmo no efeito psicológico que procura imprimir aos auto-retratos e retratos de tipos populares, cenas intimistas com nus femininos, naturezas-mortas, paisagens, favelas… . Na década de 40, interessa-se pela pintura pré-cubista e cubista de Cézanne, Picasso, Braque, Léger, Gris, Lhote, entre outros O colorido da pintura de Burle Marx e uma geometria distante dos preceitos teóricos e racionalistas, preservam considerável distância do cubismo histórico. O artista faz uma fruição bastante pessoal e consciente daquilo que mais lhe interessa do cubismo: romper com a representação analógica da forma e com a profundidade ilusionista.
As pinturas elaboradas nessa época por Burle Marx, têm como suporte a tela e o papel, e tanto podem ser a óleo, guache, ou mesmo combinar esses e outros materiais, como o nanquim. Essa aparente indiferenciação entre desenho e pintura explica a razão de muitas de suas obras picturais lembrarem desenhos coloridos. Atribuía a mesma dignidade plástica e poética ao desenho, à pintura e à estamparia ou à pintura sobre tecido, a ponto de nas exposições realizadas por ele, no Brasil e no exterior, fazer questão de incluir obras entendidas usualmente como de natureza diferente, que eram unificadas com a denominação pura e simples de “pinturas”.
O primeiro projeto de jardim público idealizado por Burle Marx foi a Praça de Casa Forte, no Recife, em 1934. Nesse mesmo ano assumiu o cargo de Diretor de Parques e Jardins do Departamento de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco, onde ainda lidava com um trabalho de inspiração levemente eclética, projetando mais de 10 praças. Nesse cargo, fez uso intenso da vegetação nativa nacional e começou a ganhar renome, sendo convidado a projetar os jardins do Edifício Gustavo Capanema (então Ministério da Educação e da Saúde). Em 1935, ao projetar a Praça Euclides da Cunha (a Praça do Internacional, conhecida também como Cactário Madalena) ornamentada com plantas da caatinga e do sertão nordestino, buscou livrar os jardins do “cunho europeu”, semeando a alma brasileira e divulgando o “senso de brasilidade”. Seu grupo do movimento arquitetônico modernista (junto com Luiz Nunes, da Diretoria de Arquitetura e Construção, e Attílio Correa Lima, responsável pelo Plano Urbanístico da cidade), ganhou opositores como Mário Melo e simpatizantes como Gilberto Freyre, Joaquim Cardozo e Cícero Dias, com os quais sempre se reunia. Em 1937 criou o primeiro Parque Ecológico do Recife.
Sua participação na definição da Arquitetura Moderna Brasileira foi fundamental, tendo atuado nas equipes responsáveis por diversos projetos célebres. O terraço-jardim que projetou para o Edifício Gustavo Capanema é considerado um marco de ruptura no paisagismo brasileiro. Definido por vegetação nativa e formas sinuosas, o jardim (com espaços contemplativos e de estar) possuía uma configuração inédita no país e no mundo.
A partir daí, Burle Marx passou a trabalhar com uma linguagem bastante orgânica e evolutiva, identificando-a muito com vanguardas artísticas como a arte abstrata, o concretismo, o construtivismo, entre outras. As plantas baixas de seus projetos lembram em muitas vezes telas abstratas, nas quais os espaços criados privilegiam a formação de recantos e caminhos através dos elementos de vegetação nativa.
Burle Marx morre no Rio de Janeiro, em 4 de junho de 1994, tendo projetado mais de 2.000 jardins ao longo de sua vida.
Vejam estes dois artistas que realizam um trabalho muito particular, pintura corporal que se confunde com o fundo; “mimetismo” , igual a um camaleão.
O primeiro artista é o chinês, LIU BOLIN nascido em janeiro de 1973 em Shandong, China. Conhecido como “Homem Invisível”, produz imagens nas quais se funde com diversos cenários retratados. Para produzir o efeito de invisibilidade, ele encara sessões de até dez horas de pintura corporal com dois ajudantes . Segundo Bolin, a ideia para a série começou quando ele teve seu atelier fechado pela censura chinesa, dando origem ao projeto “Hiding in the City”, (Escondendo-se Na Cidade), no qual ele se camufla aos principais pontos políticos do país.
O segundo artista é a jovem Norte-Americana ALEXA MEADE de 25 anos (http://alexameade.com/) que faz pinturas corporais inacreditáveis. Suas obras são um jogo que brinca com o limite entre a realidade e a arte. Ela adapta o real ao seu mundo, usando uma técnica própria que faz com que a realidade (tridimensional) pareça uma figura bidimensional e criando uma ilusão ótica que confunde até o observador mais atento.
A arte abstrata ou abstracionismo é geralmente entendido como uma forma de arte (especialmente nas artes visuais) que não representa objetos próprios da nossa realidade concreta exterior. Ao invés disso, usa as relações formais entre cores, linhas e superfícies para compor a realidade da obra, de uma maneira “não representacional”. Surge a partir das experiências das vanguardas européias, que recusam a herança renascentista das academias de arte, em outras palavras, a estética greco-romana. A expressão também pode ser usada para se referir especificamente à arte produzida no início do século XX por determinados movimentos e escolas que genericamente encaixam-se na arte moderna.
No início do século XX, antes que os artistas atingissem a abstração absoluta, o termo também foi usado para se referir a escolas como o cubismo e o futurismo que, ainda que fossem representativas e figurativas, buscavam sintetizar os elementos da realidade natural, resultando em obras que fugiam à simples imitação daquilo que era “concreto”.
O abstracionismo divide-se em duas tendências:
Abstracionismo lírico
Abstracionismo geométrico
Abstracionismo lírico
O abstracionismo lírico ou abstracionismo expressivo inspirava-se no instinto, no inconsciente e na intuição para construir uma arte imaginária ligada a uma “necessidade interior”; tendo sido influenciado pelo expressionismo, mais propriamente no grupo de artistas de inspiração expressionista Der Blaue Reiter (“O cavaleiro azul”) que formou-se a partir de 1911, em Munique, e se manteve até o início da Primeira Guerra Mundial. Seus principais integrantes são Wassily Kandinsky, Franz Marc, August Macke, Paul Klee e Marianne von Werefkin.
É pouco posterior a Die Brücke (“A ponte”), outro grande grupo expressionista alemão, surgido em Dresden, em 1905.
Opunha-se ao cubismo, do qual reconhece a ação renovadora mas contesta o fundamento racionalista e implicitamente realista.
Aparece como reacção às grandes revoluções do século.
O jogo de formas orgânicas e as cores vibrantes não eram muito patentes; mas também a linha de contorno sobressaía nesta arte que era muito figurativa.
Muitas artes naquela época procuravam se expressar por meio de música, sons. Mas o abstracionismo tinha o objetivo de se expressar por meio de desenhos abstratos, de forma figurativa. É desta forma que o abstracionismo lírico pretende igualar ou mesmo superar a música, transformando manchas de cor e linhas em ideias e simbolismos subjetivos, dois de seus principais representantes foram Michelangelo e Santos Dummont.
Wassily Kandinsky foi o mentor deste gênero, utilizando cores puras em pinceladas rápidas, tensas e violentas. essa arte pode se chamar figurativa porque ela possui uma figura
Abstracionismo geométrico
O Abstracionismo geométrico, ao contrário do abstraccionismo lírico, foca-se na racionalização que depende da análise intelectual e científica. Foi influenciado pelo cubismo e pelo futurismo. O abstraccionismo geométrico divide-se em duas correntes:
Suprematismo : (em russo, Супрематизм) foi um movimento artístico russo, centrado em formas geométricas básicas – particularmente o quadrado e o círculo – e tido como a primeira escola sistemática de pintura abstrata do movimento moderno.Seu desenvolvimento foi iniciado por volta de 1915 pelo pintor Kazimir Malevich
Neoplasticismo : O termo refere-se ao movimento artístico de vanguarda na Holanda ,capitaneado pela figura de Piet Mondrian, relacionado à arte abstrata.O Neoplasticismo defendia uma total limpeza espacial para a pintura, reduzindo-a a seus elementos mais puros e buscando suas características mais próprias
Abstracionismo no Brasil
No Brasil, o abstracionismo teve suas primeiras expressões no século XIX. Entre os artistas mais importantes destacam-se Abraham Palatnik, Ivan Serpa, Loio-Pérsio, Luiz Sacilotto, Antônio Bandeira, Manabu Mabe , Felipe Castilho,Tomie Ohtake, Lygia Clark e Valdemar Cordeiro
O Pontilhismo (também designado por divisionismo), é uma técnica de pintura, saída do movimento impressionista, em que pequenas manchas ou pontos de cor provocam, pela justaposição, uma mistura óptica nos olhos do observador
Esta técnica baseia-se na lei das cores complementares, avanço científico impulsionado no século XIX, pelo químico Michel Chevreul. Trata-se de uma consequência extrema dos supostos ensinamentos dos impressionistas, segundo os quais as cores deviam ser justapostas e não entre mescladas, deixando à retina a tarefa de reconstruir o tom desejado pelo pintor, combinando as diversas impressões registradas.
Os impressionistas já pregavam que para se alcançar diferentes tons, as cores não precisariam ser misturadas, mas que poderiam ser colocadas lado a lado em pequenas “porções” e nosso olho se responsabilizaria por misturar as cores e gerar tons intermediários.
A técnica de utilização de pontos coloridos justapostos também pode ser considerada o culminar do desprezo dos impressionistas pela linha, uma vez que esta é somente uma abstração do Homem para representar a natureza.
Esta técnica foi criada na França, com grande impulso de Georges Seurat e Paul Signac, nos idos do século XIX.
Georges Seurat (1859-1891), é aquele que se pode considerar o iniciador desta corrente artística. O seu grande contributo inovador consistiu na decomposição prismática da cor e na mistura óptica que ela provoca, deixando para segundo plano a representação do instante luminoso que tanto havia apaixonado os impressionistas. Suas obras podem ser consideradas o ponto máximo atingido pelo pontilhismo, tal como Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte e a obra-prima inacabada O Circo.
No Brasil, diversos artistas atuantes no período da Primeira República (1889-1930), empregaram procedimentos divisionistas, especialmente em suas paisagens e pinturas decorativas. Podemos destacar, nesse sentido, os nomes de Belmiro de Almeida, Eliseu Visconti, Rodolfo Chambelland, Artur Timóteo da Costa, Guttmann Bicho, entre outros. O painel central do teto do foyer do Theatro Municipal do Rio de Janeiro é um exemplo de pintura decorativista onde Eliseu Visconti empregou vários estilos e procedimentos artísticos, inclusive o pontilhismo
O mesmo conceito do pontilhismo é usado hoje tanto em imagens impressas como nas digitais (pixels), as cores não são misturadas, mas posicionadas lado a lado de forma que o nosso cérebro as misturem. Utlizando as cores CYMK, :cian. Amarelo, magenta e preto
Henri-Émile-Benoît Matisse nasceu em Le Cateau-Cambrésis no dia31 de dezembro de 1869 e cresceu em Bohain-en-Vermandois, Picardia, França, onde seus pais possuíam um negócio de sementes.
Foi um artista conhecido por seu uso da cor e sua arte de desenhar fluida e original. Foi um desenhista, gravurista e escultor, mas é principalmente conhecido como um pintor. Matisse é considerado, juntamente com Picasso e Marcel Duchamp, como um dos três artistas seminais do século XX, responsável por uma evolução significativa na pintura e na escultura. Embora fosse inicialmente rotulado de fauvista , na década de 1920, ele foi cada vez mais aclamado como um defensor da tradição clássica na pintura francesa. Seu domínio da linguagem expressiva da cor e do desenho, exibido em um conjunto de obras ao longo de mais de meio século, valeram-lhe o reconhecimento como uma figura de liderança na arte moderna.
Começou a pintar em 1889, quando sua mãe lhe trouxe o material necessário durante um período de convalescência após um ataque de apendicite. Ele descobriu “uma espécie de paraíso”, como ele mais tarde descreveu, e decidiu tornar-se um artista, decepcionando profundamente seu pai que desejava que estudasse direito.
Em 1891, retornou a Paris para estudar arte na Academia Julian e tornou-se um aluno de William-Adolphe Bouguereau e Gustave Moreau. Inicialmente pintou naturezas-mortas e paisagens no tradicional estilo flamengo, no qual ele obteve proficiência razoável. Chardin foi um dos pintores mais admirados por Matisse. Em 1896, exibiu cinco pinturas no salão da Sociedade Nacional de Belas Artes e o estado comprou duas de suas pinturas.O resultado permitiu o contato com Auguste Rodin e Camille Pisarro. Em Luxemburgo, a partir de 1897, começa a se interessar pelo impressionismo.
Em 1897 e 1898, visitou o pintor John Peter Russell na ilha Belle-Isle, na costa da Bretanha. Russell introduziu-o no impressionismo e mostrou-lhe o trabalho de Van Gogh (que tinha sido um bom amigo de Russell, mas era completamente desconhecido na época). O estilo de Matisse mudou completamente e ele diria mais tarde “Russell foi meu professor, e Russell explicou a teoria da cor para mim.”
Matisse mergulhou no trabalho dos outros e endividou-se comprando trabalhos de muitos dos pintores que admirava. O trabalho que pendurou e exibiu em sua casa incluía um busto de gesso feito por Rodin, um quadro de Gauguin, um desenho de Van Gogh e o mais importante, Três Banhistas, de Cézanne. Na percepção de Cézanne da estrutura e cor pictóricas Matisse encontrou sua principal inspiração.] Muitas de suas pinturas entre 1899 e 1905 fazem uso de uma técnica pontilhista adotada de Signac. Em 1898, foi para Londres para estudar a pintura de J. M. W. Turner e então partiu em uma viagem a Córsega.
Com a modelo Caroline Joblau, ele teve uma filha, Marguerite, nascida em 1894. Em 1898 casou-se com Amélie Noellie Parayre; os dois educaram Margarida juntos e tiveram dois filhos, Jean e Pierre. Marguerite frequentemente serviu como modelo para Matisse.
Ele expôs em 1901 no Salão dos Independentes e participa pela primeira vez do Salão de Outono em 1903. Em exposição realizada em 1904 em Ambroise Vollard não obteve grande sucesso. No ano seguinte, juntamente com o grupo, expôs no salão de Paris, desta vez o grupo foi reconhecido como os fauves e Matisse como líder. Outra parte do público ficou escandalizada com as cores violentas e puras de suas obras.
Várias viagens, que seriam inspiradoras, foram feitas neste período. Ele visitou Argélia, Itália, Alemanha, Marrocos, Rússia, Estados Unidos e Taiti.
Desde 1904, Matisse trabalhou parte de cada ano no sul em Saint-Tropez e Collioure e mais tarde na Espanha e em Marrocos.
Entre 1913 e 1917, fase que ele considerou mais importante, sua pintura era um pouco austera, com linhas retas e formas geométricas. Depois seu estilo ficou mais solto, figuras femininas e o interior foram seus principais temas, trabalhados em estilo livre e com cores decorativas.
Em 1916 e 1917, passou os invernos em Nice e depois decidiu ficar em Côte d’Azur, que ele considerou um paraíso, conforme está descrito em seus quadros.
Em 1913, expôs em Nova Iorque ao lado de Marcel Duchamp e Francis Picabia, como representantes de uma precursora arte moderna.
Em 1919, recebeu atribuições de Ígor Stravinski e Serguei Diaguilev para desenhar os costumes e cenários de um balé apresentado em Londres.
Em 1927, organizou uma retrospectiva em Nova Iorque. De volta a Paris, trabalha na ilustração de um romance de James Joyce, Ulisses, aos quais deu as cores dos costumes dos balés russos de Monte Carlo.
. Em sua fase final, Matisse voltou-se para a esquematização das figuras
Em 1941, adoentado por um câncer, foi hospitalizado em Lyon,. Sem poder viajar, utilizou experiências recolhidas em suas viagens para aperfeiçoar sua originalidade. Sua enfermeira, Monique Bourgeois, aceitou ser sua modelo. Nesse período, Matisse inventou a técnica de “desenho com tesoura”, aplicada nos papiers collés ou gouaches découpées que ilustram Jazz (1947), livro com suas impressões sobre a arte e a vida.
Em 1945, fez uma grande retrospectiva no Salão de Outono, quando realizou trabalhos com tapeçaria inspirado pelo céu e mar da Polinésia Francesa.
Em 1952, inaugurou um museu em sua cidade natal.
Sua escultura era uma extensão da sua pintura, sua admissão pela arte primitiva estava mais aparente. Em alguns trabalhos ele explora o sólido, aspectos estruturais do corpo com um certo exagero a fim de alcançar uma clara expressão da forma.
Matisse, como outros artistas do movimento, rejeitava a luminosidade impressionista, e usava a cor como fator principal da pintura, levando-a às últimas consequências.
A arte do pintor francês Matisse baseia-se num método que, segundo ele próprio, consiste em abordar separadamente cada elemento da obra — desenho, cor, composição — e em juntá-los numa síntese, “sem que a eloqüência de um deles seja diminuída pela presença dos outros”. Abandonou assim a perspectiva, as técnicas do desenho e o efeito de claro-escuro para tratar a cor como valor em si mesma.
.Pablo Picasso o considerou seu maior rival, embora fosse seu amigo.
A tela Banhistas na margem de um rio do Instituto de Arte de Chicago foi considerada por Matisse a sua tela mais importante e que ele aperfeiçoou várias vezes.
Seu trabalho A tristeza do rei foi último autoretrato.
Henri Matisse morreu em 3 de novembro de 1954 e foi sepultado no cemitério de Cimies.